
Conta a lenda que há muito, muito tempo junto ao rio Douro, os homens do mestre Vaz ocupavam-se a construir naus e barcos. Ninguém sabia muito bem por que razão eram necessárias tantas embarcações, mas nem esta incerteza fazia com que estes homens trabalhassem com menos entusiasmo. Nada era deixado ao acaso...O povo, este, cada um dizia uma coisa diferente, até que certo dia, chegou aquele local o Infante D. henrique. Queria saber como estavam a correr os trabalhos e se era preciso alguma coisa.
Mestre Vaz, sentiu-se orgulhoso e queria que o Infante saisse dali com a certeza que ele e os seus homens iriam empenhar-se ao máximo.
Então disse ao Infante, que as gentes do Porto, eram pessoas capazes de qualquer sacrificio. Disse ainda, que quando o Infante partisse naqueles barcos, levaria consigo toda a carne da cidade. Assim, teriam alimento para muito tempo, e para aquela gente do Porto, chegariam apenas as tripas.
O Infante percebeu, que tinha à sua frente um grande homem e que, acima de tudo, amava a sua pátria.
A promessa de mestre Vaz não foi esquecida e, na viagem para Ceuta, seguiu toda a carne que existia na cidade do Porto. O povo ficou apenas com as tripas e depressa começaram a fazer pratos deliciosos de tripas e receitas inesquecíveis. Desde então, com muita honra, passou a dar-se o nome de "tripeiros" às gentes daquela cidade.
Na verdade, o povo do Porto dedicou-se, empenhou-se e sacrificou-se. Quis e foi capaz de mostar o seu grande valor e, assim, tudo mudou.
Depois de ouvir-mos a lenda e conversarmos um pouco sobre ela, fizemos nós mesmos um barco (de papel) e colocámo-lo dentro de uma garrafa.